Sequestro - Kidnap - Do Pai Do Romário Da Seleção Brasileira - 1994 - Rede Globo De TV
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- Description : O craque que assusta mas resolve A ...(more)torcida teme e confia em Romário, um especialista em fazer gols e um mestre em armar confusões Fabio Altman, de Barcelona A sorte do Brasil na Copa do Mundo está nos pés de Romário de Souza Faria, carioca de 28 anos. Baixinho, atarracado, tinhoso, ele tem a maior e mais rara das qualidades de um jogador de futebol: a facilidade de fazer gols. Calcula-se que tenha marcado mais de 400 desde que começou sua carreira no infantil do Vasco, em 1981. Rapidíssimo, está sempre no lugar onde a bola vai estar no momento seguinte. Certeiro, dispara seus tiros com pontaria letal. Apesar de só ter 1,67 metro de altura, suas cabeçadas são um perigo. Eleito por treinadores do mundo inteiro, numa pesquisa patrocinada pela Fifa, como um dos três melhores jogadores do planeta na última temporada - o italiano Roberto Baggio e o holandês Dennis Bergkamp são os outros dois - Romário é o artilheiro do campeonato espanhol. Foi ele o responsável direto pela classificação do Brasil nas eliminatórias da Copa, ao marcar os dois gols na partida decisiva contra o Uruguai, em setembro passado. O time pode ser uma droga, mas, se tiver Romário, tem chance de dobrar o adversário. Explosivo, ele decide uma partida.Essas credenciais levam a torcida a depositar nele todas as esperanças de gols e de bons resultados da seleção brasileira na Copa, que começa daqui a um mês. Mas são insuficientes para afastar a desconfiança em relação a Romário. Assim como faz gols, ele tem uma capacidade infinita para se meter em confusões. É indisciplinado, encrenqueiro, individualista e rebelde. Angelical dentro do campo, fora dele Romário é um endiabrado. Diz exatamente o que pensa, mesmo quando resvala para a prepotência, a arrogância e a grosseria. Não lhe peçam para dedicar gols para criancinhas pobres. Não esperem dele mensagens positivas, pelo bem do Brasil. Anjo e demônio, Romário não sairá desta Copa igual ao que era antes dela. O sucesso ou o fracasso da seleção será mais seu do que de qualquer outro integrante do time."DONO DO BRASIL" - Romário acredita que o dia mais feliz de sua vida foi o último 19 de setembro, quando o Brasil garantiu sua classificação para a Copa do Mundo ao vencer o Uruguai por 2 a 0, no Maracanã. Retido em seu Porsche num fenomenal congestionamento à saída do estádio, o jogador, autor dos dois gols do Brasil, pegou o telefone celular e ligou para um militar, amigo seu: "Coronel, hoje eu sou general. Está tudo parado por minha causa. Eu sou o dono do Brasil". O brado de euforia, e também de desabafo, era o desfecho de uma situação que sintetiza a conflitiva convivência do craque com a seleção. Por se rebelar ostensivamente contra as determinações do técnico Carlos Alberto Parreira, Romário ficou afastado de todos os jogos da equipe no ano passado. Só foi chamado para a última partida das eliminatórias, quando o Brasil vivia pela primeira vez na história a perspectiva vexaminosa de não se classificar para a Copa. Apresentou-se humildemente ao técnico e em campo não fez por menos: salvou a pátria. "Foi Deus que mandou o Romário", reconheceu, depois do jogo, o mesmo Parreira que teimara em mantê-lo afastado.Desde que chegou à seleção pela primeira vez, em 1985, quando era pouco mais que um adolescente, Romário mantém uma atitude de desafio em relação ao time, seus jogadores, técnicos e cartoIas. Naquela ocasião, foi cortado do elenco que se preparava para o Campeonato Mundial de Juniores, em Moscou. 0 motivo, uma molecagem: Romário e outros dois amigos foram flagrados na janela do hotel que servia de concentração ao time em Copacabana fazendo gestos obscenos para moças que passavam na rua. Em nome da moral e dos bons costumes foi mandado de volta para casa. Cinco anos mais tarde, Romário integraria o grupo de jogadores que disputou a Copa da Itália. Jogou menos do que as confusões que criou. Primeiro, entrou em choque com o médico da equipe Lídio Toledo, ao levar para a concentração seu próprio fisioterapeuta para cuidar da recuperação de uma perna quebrada recentemente. Depois, insurgiu-se contra o técnico Sebastião Lazaroni. "Esse treinador só convoca amigos dele. A seleção não é o INPS para ficar ajudando os outros", afirmou, ironizando o pendor de Lazaroni para usar a seleção para promover os amigos.CONHECIDOS - Mais recentemente, elegeu o atacante Müller, do São Paulo, para alvo de suas críticas. "Já esteve em duas Copas e nunca fez nada", disparou, ao admitir sua preferência por Edmundo, do Palmeiras, seu único amigo do peito entre os colegas de profissão. Com Bebeto, Romário tem uma relação gélida. "Somos apenas conhecidos", diz. Sem nenhuma cerimônia, ele também atirou contra o mito maior do futebol brasileiro. "Pelé vive do passado e, para mim, quem vive de passado é museu", fuzilou, rebatendo as críticas que o rei do futebol fizera a seu comportamento. (less)
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